sábado, 12 de setembro de 2015

A culpa é da Supervia II

Durante essa semana, noticiários de TV, principalmente na TV Record, anunciaram que a grade de uma passarela próxima à localidade de Gramacho, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, estaria prestes a cair, ameaçando cair sobre a linha férrea e tornando a passagem de pedestres um perigo, já que qualquer um que se apoiasse nesta "proteção" poderia despencar da altura de vários metros sobre a ferrovia e mesmo sobre a rede aérea, podendo morrer eletrocutado.


Fonte: O Globo

Durante a exibição da reportagem, exibida no programa "Balanço Geral RJ", o apresentador fala várias vezes que a Supervia não reforma a passarela, não toma nenhuma providência em relação a isso, que é um descaso com a população etc. Equivocadamente, digamos. Se a produção e a essência de programas assim não fosse tão sensacionalista, talvez pudesse se informar melhor sobre as pautas e notícias a serem dadas, ao invés de incitar o telespectador ao erro e a desinformação.

É óbvio que qualquer obra sobre a faixa de domínio da ferrovia, com exceção das estações e obras feitas pela própria concessionária, não são de responsabilidade da empresa. Imagina que por exemplo, um buraco no asfalto se abra em uma via que foi escavada durante as obras do Metrô. A culpa é da administradora do Metrô ? Ou então, se ocorrer um acidente automobilístico em um viaduto que passa sobre a via férrea por causa de má pavimentação ou sinalização, a culpa é da administrador da ferrovia ? E se ocorrer um assalto em uma passarela sobre a linha ? De quem é a culpa ? Da empresa ferroviária, da prefeitura ou do governo ?

Hoje, após todos já tomarem conhecimento do fato e da gravidade do caso (incluindo os telespectadores, a prefeitura e o governo do estado), e da indignação da população que usa a passarela para travessia sobre a ferrovia devido à incerteza de atos que não foram tomados por nenhum dos envolvidos (quem deveria fazer algo "empurrou" a culpa para outro) por "coincidência" a grade da passarela caiu exatamente na hora que passava um trem, interrompendo o tráfego no ramal Gramacho. Caiu ? Será mesmo que foi coincidência ? Desnecessário fazer suposições sobre isso, prefiro nem falar nada ...

Fonte: O Dia

Mudando de foco, mas ainda dentro do assunto, semana passada o mesmo programa, na mesma emissora de TV, exibiu um vídeo feito por um passageiro de um trem da Supervia, mostrando um absurdo: passageiros organizam periodicamente um "pagode no trem", com direito a algazarra, consumo de bebidas, fumo dentro dos carros e até urinar no salão dos carros !

Nas imagens, é mostrado um passageiro fumando, e em determinado momento, indo para o canto próximo à porta, urinando na parede do carro. Absurdo demais, não acham ? Mas ainda tem mais ...

Fonte: Portal R7

Apesar de ser uma violação de lei, um atentado ao pudor, a emissora de TV não mostra o rosto do fanfarrão, o que poderia ajudar na identificação e punição. Pra piorar, o apresentador culpa a empresa com as pérolas (transcreverei a sua fala, sem integralidade, mas no sentido aproximado do que realmente foi dito):

"O maquinista possui a seu dispor "x" câmeras em cada vagão. Porque que a partir destas imagens, que ele pode ver na cabine, ele não contacta um fiscal da estação mais próxima para advertir o passageiro?"

"Se a Supervia tivesse disponibilizado mais banheiros nas suas estações, isso não aconteceria (...)"

Nem preciso falar que tudo isso é causado pela falta de educação de alguns passageiros, que não sabem se portar como cidadãos, sem civilidade. São desses que depredam as composições quando ocorre qualquer problema (um idiota, pois está jogando o seu próprio dinheiro no lixo, dinheiro que pagou seus impostos, que são revertidos pelo governo nos meios de transporte), que cospem no chão, que forçam as portas, danificando equipamentos e arriscando a sua vida e a de terceiros, enfim ... não consigo encontrar uma classificação para este tipo de gente. Não adianta colocar trocentos banheiros nas estações se existem pessoas irresponsáveis que, até durante o carnaval e ao lado de banheiros químicos, se aliviam onde bem entenderem ?

Que tal cobrar da empresa "x" ou "y" medidas e benefícios à população e aos passageiros, mas com consciência ? E que tal, como formadores de opinião e prestadores de um benefício social e informativo, noticiar os fatos corretamente, prezando a verdade dos fatos?

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